Viver diante de uma
passividade doentia é algo que nos faz perder a própria identidade, por maior
que seja o leão que nos deprime, a capacidade de torná-lo do tamanho que deve
ter, depende, exclusivamente, de nossa postura diante dele. Há anos presencio a
relação doentia entre duas pessoas, que ora se amam com selvageria, e não estou
falando de sexo, estou falando de amor, comportamento, reações absurdamente
intensas, e em determinado momento, um ou o outro cede, miseravelmente, aos
quereres insanos do outro; até o momento que o papel de coitado, vítima infeliz
o sufoca, e ele reage de forma agressiva, culpando e apontando o dedo para
informar ao mundo que existe um verdugo culpado de suas dores.
Mas... temos algumas
experiências pregressas que nos abrem novos horizontes de entendimento, se eu
aceitar que essa vida é única e limitada a esse momento, ficarei presa a esses
conceitos finalizadores da esperança; mas, se acreditar que vivenciei outros
momentos em outras experiências, poderei entender que trago um cabedal de
sentimentos, emoções e momentos, que tiveram várias nuances de felicidade e
infelicidade, marcando nossas mentes com traumas, que não lembramos, mas ainda
vivenciamos, e nos limitam agora, aqui, nesse instante.
Junto com essas experiências
trazemos companheiros antigos, também traumatizados e necessitados de um acerto
final, para que possam viver de maneira mais lúcida, e, como consequência direta,
mais livre e com maior compreensão do passado que nos acorrenta a dor imorredoura.
Quando entendemos que nossas
vidas vão além desta encarnação, também nos responsabilizaremos pelo passado
distante, e trataremos com lucidez e clareza as nossas limitações e saberemos
que aqueles companheiros, que no momento doloroso da ignorância da bondade, são
instrumentos de libertação para o futuro esclarecedor.
Nesta encarnação abençoada
que vivo, pude presenciar em minhas lides espíritas o milagre que Deus nos
permite realizar, que se origina na crença sobre a capacidade que temos de
trabalhar nossas dores e limitações através do exercício de autoconhecimento.
Para mim, esse conhecimento,
está baseado nas palavras do Mestre Jesus: - Sois deuses e podeis fazer muito
mais do que eu faço.
Como também na bondade
latente, na fraternidade amorosa e na tolerância necessária que devemos
alimentar em nossos corações.
Quando definimos que
queremos “ser” espíritos melhores, não ficamos mais a mercê de rompantes
emocionais e comportamentais, como também entendemos que o próximo está ali,
como nós mesmos, fazendo o melhor que pode naquele momento, então a influência
do meio deixa de ser tão aterradora para o nosso entendimento.
Duas naturezas que se
encontram em nós mesmos: a luz que vem de nossa origem divina ou as trevas que
nos envolvem, e tantas e tantas vezes nos parece mais atraente que a própria
liberdade, no meu entender essa é a escolha que devemos fazer a cada instante
de nossas vidas.
Deus os abençoe nessa
caminhada amorosa,
Eliane Macarini -
Escritora Espírita

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